A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa crônica causada pela perda progressiva de neurônios de uma área específica do cérebro, o que reduz a produção de dopamina — neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Seus sintomas principais são tremor, rigidez, lentidão dos movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural.
Mas outros sintomas podem ser comuns como os relacionados à fala e voz — hipofonia (voz baixa e fraca), dificuldade em pronunciar palavras pela rigidez de músculos da boca, alterações no ritmo (fala rápida ou lenta); os relacionados à deglutição — tosse e pigarro constantes, voz molhada, acúmulo de saliva, demora para mastigar durante as refeições; os relacionados à cognição — lentidão no raciocínio, dificuldade em planejar tarefas, organizar rotina e fazer várias tarefas simultaneamente; dificuldade de manter o foco e concentração; os relacionados ao humor e emoções — perda de motivação e iniciativa; depressão e ansiedade; e sintomas comportamentais como alucinações e delírios e comportamentos compulsivos. Existem ainda os sintomas associados ao transtorno do sono (insônia e sonolência excessiva diurna); a constipação intestinal, a hipotensão ortostática (queda da pressão arterial ao levantar causando tonturas), alterações urinárias (urgência); dores crônicas e fadiga.
A presença, gravidade e combinação destes sintomas variam de caso a caso, por isso uma avaliação cuidadosa é o primeiro passo para identificar estes sintomas e definir as melhores abordagens em cada caso.
No Instituto Glia de Neuroreabilitação, em Alphaville, Barueri (SP), temos uma equipe com fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional, capacitados para retardar a progressão das perdas funcionais causadas pelos sintomas da doença de Parkinson e diminuir o impacto destes sintomas no dia a dia, com melhora da qualidade de vida.
O diagnóstico é feito por médico neurologista. Diante de sintomas como estes, a orientação é procurar avaliação médica para diagnóstico e início do tratamento adequado.
Dificuldades frequentes no dia a dia
Abotoar a camisa, virar na cama, levantar da poltrona, assinar um documento, falar ao telefone, comer, virar ou andar em locais estreitos, planejar tarefas complexas, manter o foco e a disposição ao longo do dia: na doença de Parkinson são as tarefas pequenas que começam a pedir tempo e atenção. Há o momento em que os pés parecem grudar no chão bem na hora de atravessar uma porta, e há o medo da queda, que muitas vezes aparece primeiro na família.
Fisioterapia
A fisioterapia trabalha sobre situações concretas que costumam se tornar difíceis:
- levantar da cama, da cadeira ou do carro;
- virar-se na cama;
- desequilíbrios frequentes e risco aumentado de quedas;
- movimentos mais lentos, curtos e difíceis;
- entrar e sair de elevadores, escadas e esteiras rolantes;
- andar em lugares estreitos, corredores e passagens de porta;
- virar os pés para mudar de direção;
- iniciar ou interromper a caminhada.
O fisioterapeuta identifica em que parte da ação está a maior dificuldade e planeja a sequência de movimentos, os ajustes de postura e de equilíbrio para que a atividade seja executada de forma mais fluida. Quando a pessoa incorpora esses ajustes ao dia a dia, o treino se torna mais eficaz e a adesão ao tratamento aumenta.
Fonoaudiologia
A fonoaudiologia trabalha em situações que impactam a comunicação e a segurança alimentar da pessoa com Parkinson:
- falar baixo demais ou precisar repetir o que disse para que entendam;
- falar sem conseguir expressar emoções pelo tom da voz;
- embolar as palavras ou sentir a língua travada ao conversar;
- engasgar-se ao beber líquidos;
- pigarrear ou tossir com frequência durante ou logo após as refeições;
- acumular saliva na boca, com episódios de escape (babar) ou necessidade de engolir a todo momento;
- demorar muito tempo para mastigar e sentir cansaço na refeição;
- sentir o alimento preso na garganta, necessitando de líquido para ajudar a descer.
O fonoaudiólogo identifica quais músculos da face, da boca e da garganta perderam força ou coordenação e planeja exercícios específicos de respiração, de fortalecimento muscular, ajustes na postura da cabeça e mudanças na textura dos alimentos para que o ato de falar e o de engolir aconteçam de forma segura e eficiente. Quando a pessoa pratica essas estratégias no dia a dia e adapta sua rotina, o risco de complicações (como a pneumonia) diminui e o prazer em conversar e comer é preservado.
Terapia ocupacional
O terapeuta ocupacional atua sobre situações da rotina diária que impactam a independência, a autonomia e a dignidade da pessoa com Parkinson:
- abotoar camisas, fechar zíperes, amarrar sapatos ou escolher e vestir roupas de forma geral;
- levar a comida à boca sem derramar, devido a tremores ou fraqueza nas mãos;
- cortar carnes e alimentos mais duros durante as refeições;
- tomar banho de forma segura, mantendo o equilíbrio ao se ensaboar ou ao lavar os pés;
- usar o banheiro, sentar-se e levantar do vaso sanitário e realizar a higiene íntima de maneira independente;
- segurar copos, xícaras ou talheres pesados sem que eles escorreguem;
- escrever à mão, preencher documentos, digitar no computador ou usar o teclado do celular com precisão;
- organizar a rotina, lembrar-se de tomar os medicamentos nos horários corretos e gerenciar tarefas domésticas ou financeiras;
- manter hobbies e atividades de lazer, como costurar, cozinhar, pintar ou fazer trabalhos manuais.
O terapeuta ocupacional identifica em que etapa da atividade do dia a dia está o maior obstáculo (seja por rigidez, tremor, lentidão ou fadiga) e planeja soluções personalizadas. Isso envolve desde o treino de novas estratégias de movimento até a indicação e confecção de adaptações (como talheres engrossados, puxadores de zíper e ganchos) e a modificação do ambiente doméstico para torná-lo mais seguro e acessível. Quando a pessoa incorpora essas adaptações e estratégias à sua rotina, ela consegue continuar realizando suas atividades por conta própria e com menor esforço, o que fortalece sua autoestima e reduz a sobrecarga dos familiares.
Psicologia
A psicologia atua em situações da vida emocional, social e mental que costumam se tornar difíceis com o avanço do Parkinson, atuando tanto no fortalecimento da mente quanto no suporte diante de mudanças de humor e comportamento:
- sentir tristeza profunda, desânimo ou perda de interesse por atividades que antes traziam prazer;
- ficar excessivamente ansioso, tenso ou preocupado, especialmente nos momentos em que o efeito da medicação diminui;
- lidar com a apatia, que é uma falta de iniciativa e motivação para começar qualquer tarefa, mesmo sem estar triste;
- sentir frustração, raiva ou medo ao enfrentar o diagnóstico e a perda progressiva da independência física;
- perceber lapsos de memória, esquecer compromissos ou ter dificuldade para encontrar as palavras durante uma conversa;
- demorar mais tempo para raciocinar, processar informações ou tomar decisões simples;
- apresentar dificuldades para planejar o dia, organizar a rotina doméstica ou resolver problemas que antes eram fáceis;
- desenvolver comportamentos compulsivos, como o desejo incontrolável de comprar, jogar, comer em excesso ou usar telas, que podem surgir como efeitos colaterais de algumas medicações;
- lidar com episódios de confusão, desorientação ou a percepção de vultos e coisas que não estão ali (alucinações visuais).
O psicólogo identifica o impacto que a doença exerce sobre as emoções e o funcionamento cerebral do cliente. Na reabilitação cognitiva, o neuropsicólogo aplica treinos, jogos e estratégias de compensação para manter a memória, a atenção e o raciocínio ativos por mais tempo. No suporte emocional e comportamental, a psicoterapia oferece um espaço seguro para acolher o sofrimento, reestruturar pensamentos negativos e orientar a família sobre como lidar com as alterações de comportamento e a sobrecarga do cuidador. Quando o cliente e seus familiares incorporam essas ferramentas e entendem a raiz dessas mudanças, o estresse familiar diminui drasticamente e a resiliência emocional é fortalecida.
A atuação desses profissionais de forma integrada e em um mesmo local é o que transforma o cuidado fragmentado em uma verdadeira rede de suporte ao cliente com Parkinson.
Cuidado interdisciplinar
Aqui no Instituto Glia de Neuroreabilitação, a comunicação sobre a evolução do cliente acontece em tempo real, permitindo ajustes imediatos e sinérgicos: por exemplo, o fonoaudiólogo e o terapeuta ocupacional podem alinhar estratégias para o momento exato da refeição, enquanto o psicólogo e o fisioterapeuta trabalham juntos para superar o medo de quedas que impede a caminhada. Essa abordagem interdisciplinar centralizada evita a sobrecarga com múltiplos deslocamentos, garante que todas as terapias caminhem na mesma direção e potencializa os resultados clínicos, oferecendo um acolhimento muito mais humano, seguro e eficiente.
Como a doença de Parkinson é progressiva, o tratamento não é um pacote fechado: ele acompanha a doença, muda de foco conforme a fase e é reavaliado ao longo do tempo.
Avaliação Parkinson
A avaliação segue um protocolo definido que identifica as condições clínicas, as dificuldades apresentadas e suas causas, além dos objetivos do cliente com o tratamento. A partir dela, o nosso especialista (fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou psicólogo) apresenta ao cliente e à família as áreas que precisam atuar no processo de reabilitação (caso isso já não tenha sido feito pelo neurologista responsável pelo caso), os protocolos possíveis e a evolução esperada. Cada área realiza sua avaliação específica, define causas e objetivos de acordo com a sua expertise, e após as avaliações a equipe alinha objetivos, define a frequência de cada tratamento e valores e formas de pagamento.
Neuromodulação não invasiva na doença de Parkinson
Neuromodulação é o recurso que modifica a atividade cerebral, inibindo ou estimulando circuitos neurais e áreas específicas do cérebro. Na forma não invasiva, é feita sem cirurgia, sem implante e sem medicamento, por dois métodos: a ETCC (estimulação transcraniana por corrente contínua), que aplica corrente elétrica de baixa intensidade por eletrodos no couro cabeludo, e a EMT (estimulação magnética transcraniana), que usa campo magnético.
A neuromodulação tem sido fortemente recomendada como um potente adjuvante ao tratamento na doença de Parkinson, sendo sempre indicada em associação aos exercícios de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia para resultados mais expressivos no desempenho motor, marcha, depressão e cognição.
Para mais informações sobre neuromodulação e para agendar uma avaliação específica, veja a página sobre neuromodulação não invasiva.
Perguntas frequentes
Fisioterapia ajuda no Parkinson?
Sim. A fisioterapia neurológica atua sobre mobilidade, equilíbrio, marcha, rigidez e freezing, e trabalha as atividades do dia a dia que se tornaram difíceis. Como a doença é progressiva, o acompanhamento tem papel tanto na manutenção da funcionalidade quanto na prevenção de quedas.
O que é freezing na doença de Parkinson?
Freezing, ou congelamento da marcha, é o bloqueio súbito do movimento em que os pés parecem grudar no chão, comum ao iniciar a caminhada, ao passar por portas e corredores estreitos ou ao mudar de direção. A fisioterapia trabalha estratégias específicas para prevenir e sair desses episódios.
A fisioterapia cura o Parkinson?
Não. A doença de Parkinson é neurodegenerativa e os tratamentos disponíveis atuam sobre os sintomas. O objetivo da reabilitação é manter mobilidade, equilíbrio e autonomia ao longo da progressão, e reduzir o impacto dos sintomas nas atividades do dia a dia.
Com que frequência a pessoa com Parkinson deve fazer fisioterapia?
A frequência é definida na avaliação, conforme o estágio da doença, as dificuldades apresentadas e os objetivos de cada pessoa. A prática regular de exercício é parte do tratamento, e a orientação inclui o que fazer entre as sessões.
Quem faz o diagnóstico de Parkinson?
O diagnóstico é feito por médico neurologista. A fisioterapia atua na reabilitação, junto ao acompanhamento médico, não no lugar dele.
O Instituto Glia atende em domicílio?
Sim. Além dos consultórios em Alphaville, Barueri, o Instituto realiza atendimento domiciliar.
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Autoria e revisão
Conteúdo sob responsabilidade técnica de Dra. Tatiana de Paula Oliveira — CREFITO-3/31193-F.
Última atualização: 22 de setembro de 2026
