A esclerose múltipla (EM) pode afetar diferentes regiões do sistema nervoso central e com isso provocar alterações motoras, fadiga, desequilíbrio, distúrbios da fala e deglutição, alterações cognitivas e impactos emocionais. Os sintomas variam muito entre as pessoas, pois dependem da localização e gravidade das lesões, do número de lesões, da frequência com que ocorrem os surtos e do grau de recuperação após um surto. Deste modo, a reabilitação deve ser individualizada e realizada por uma equipe interdisciplinar, com foco na funcionalidade, autonomia e qualidade de vida:
- A fisioterapia atua na prevenção e redução das limitações motoras, no equilíbrio e coordenação, na marcha, no risco de quedas, no fortalecimento muscular, no manejo da espasticidade, da dor e da fadiga.
- A fonoaudiologia atua nas alterações de comunicação e deglutição, com foco na reabilitação da disartria — para uma fala mais clara e inteligível — e da disfagia — para uma alimentação mais segura.
- A terapia ocupacional promove independência nas atividades de vida diária e ajuda a adaptar a rotina às limitações impostas pela doença, com treino de atividades como vestir-se, banho e alimentação; orientação de estratégias de conservação de energia; organização da rotina; adaptação do ambiente domiciliar e profissional e tecnologias assistivas.
- A psicologia oferece suporte emocional para o enfrentamento da doença e das mudanças que ela impõe à vida pessoal, familiar e profissional, bem como o manejo da ansiedade e estresse. A neuropsicologia é essencial para identificar e tratar alterações na atenção, velocidade de processamento, memória, planejamento, tomada de decisão; além de orientar estratégias compensatórias.
Na esclerose múltipla a reabilitação eficaz integra o movimento, a cognição, a comunicação e a saúde emocional, permitindo que a pessoa mantenha o máximo de independência e participação em suas atividades de vida.
A reabilitação neurológica na esclerose múltipla atua no manejo dos sintomas durante o surto e na recuperação das sequelas deixadas pelos surtos. Diante da fadiga — sintoma muito comum na esclerose múltipla —, o exercício precisa ser individualizado e ter a dose ajustada caso a caso: deve desafiar o sistema nervoso sem agravar a fadiga, considerando a atividade do surto e até a temperatura do ambiente. No Instituto Glia de Neuroreabilitação, em Alphaville, Barueri (SP), a dose é definida a partir da avaliação do desempenho em cada repetição de cada exercício.
Como a equipe atua diante dos surtos na esclerose múltipla
| Período | Atuação interdisciplinar |
|---|---|
| Durante o surto | Controle dos sintomas e prevenção de complicações: manejo da espasticidade, dor, fadiga, mobilidade, da fala e deglutição, adaptação das atividades diárias e conservação de energia; indicação de dispositivos e órteses, identificação e manejo de alterações cognitivas e acolhimento emocional. |
| Recuperação das sequelas | Reabilitação das funções comprometidas: a equipe atua para recuperação máxima das sequelas, retomada da independência e autonomia nas atividades de vida diária e fortalecimento emocional. |
| Entre os surtos | Manutenção da capacidade funcional e prevenção da progressão das limitações: o foco é preparar a pessoa para enfrentar futuros surtos com maior reserva funcional. |
A questão da dose
A fadiga é uma das queixas mais frequentes na esclerose múltipla, e é comum o receio de que o exercício a piore. Por isso a dose é o centro do trabalho:
- os exercícios são individualizados e consideram a atividade do surto, a temperatura ambiente e o nível de fadiga do dia;
- o desempenho é avaliado em cada repetição, o que permite identificar a dose adequada;
- os exercícios são propostos em diferentes posturas, condições e demandas, selecionadas caso a caso;
- a longo prazo, com ganho de força e resistência muscular e com orientação de conservação de energia, a reabilitação pode contribuir para a redução da fadiga.
Avaliação Esclerose Múltipla
A avaliação segue um protocolo definido que identifica as condições clínicas, as dificuldades apresentadas e suas causas, além dos objetivos do cliente com o tratamento. A partir dela, o nosso especialista (fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou psicólogo) apresenta ao cliente e à família as áreas que precisam atuar no processo de reabilitação (caso isso já não tenha sido feito pelo neurologista responsável pelo caso), os protocolos possíveis e a evolução esperada. Cada área realiza sua avaliação específica, define causas e objetivos de acordo com a sua expertise, e após as avaliações a equipe alinha objetivos, define a frequência de cada tratamento e valores e formas de pagamento.
Perguntas frequentes
Posso fazer reabilitação durante um surto de esclerose múltipla?
Sim. Cada surto é único em cada pessoa. Orientações de posicionamento e transferências, indicação de dispositivos auxiliares provisórios e manejo do tônus e da fadiga já ajudam no próprio manejo do surto. Alterações da deglutição precisam ser tratadas o quanto antes para evitar complicações, e o impacto emocional do surto pode afetar todo o processo de reabilitação. Exercícios específicos para cada demanda, na dose certa para o caso, favorecem a recuperação dos surtos, minimizam as sequelas e podem evitar complicações que atrasariam a recuperação.
A fisioterapia não vai aumentar a minha fadiga?
Os exercícios na esclerose múltipla precisam ser individualizados e considerar a atividade do surto, a temperatura ambiente e a fadiga. Eles devem desafiar o sistema nervoso sem agravar a fadiga — por isso o desempenho é avaliado a cada repetição, o que permite identificar a dose adequada. A longo prazo, com ganho de força e resistência e com orientação de conservação de energia, a fisioterapia pode contribuir para reduzir a fadiga.
Como a fisioterapia e a fonoaudiologia ajudam a recuperar as sequelas de um surto?
A avaliação identifica as dificuldades apresentadas, e os exercícios selecionados favorecem a ativação das vias afetadas pela desmielinização decorrente do surto. Com isso, o sistema nervoso se reorganiza para otimizar o funcionamento dessas vias ou estabelecer novas conexões, retomando ou melhorando as funções perdidas.
Como a reabilitação ajuda a enfrentar um próximo surto?
As perdas de um novo surto se somam às que não foram recuperadas do anterior. Se um surto afetou, por exemplo, a força das pernas e a recuperação não foi completa, o próximo encontrará alguém que já apresenta fraqueza. Manter o melhor desempenho possível entre os surtos amplia a reserva com que a pessoa enfrenta um novo episódio.
Quando a pessoa com esclerose múltipla precisa de um fonoaudiólogo?
Sempre que surgirem dificuldades para falar, alterações na voz, engasgos ou dificuldade para engolir. A avaliação precoce ajuda a manter uma comunicação eficiente e uma alimentação mais segura.
O acompanhamento psicológico é importante mesmo sem depressão?
Sim. A psicologia auxilia no enfrentamento do diagnóstico, na adaptação às mudanças provocadas pela doença, no manejo da ansiedade e do estresse constante na expectativa de um novo surto e no fortalecimento de estratégias para manter a qualidade de vida e a adesão ao tratamento.
Como a terapia ocupacional pode ajudar na minha independência?
A terapia ocupacional ensina estratégias para realizar as atividades do dia a dia com mais segurança e menos gasto de energia, além de adaptar tarefas e ambientes para preservar a autonomia em casa, no trabalho e no lazer.
Preciso de acompanhamento médico junto?
Sim, sempre. O diagnóstico e o tratamento da esclerose múltipla são conduzidos por médico neurologista. A reabilitação atua junto a esse acompanhamento.
O Instituto Glia atende em domicílio?
Sim. Além do atendimento na clínica em Alphaville, Barueri, o Instituto realiza atendimento domiciliar.
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Autoria e revisão
Conteúdo sob responsabilidade técnica de Dra. Tatiana de Paula Oliveira — CREFITO-3/31193-F.
Última atualização: 25 de setembro de 2026
